Dados sobre as Favelas e Comunidades Urbanas brasileiras tem sido cada vez mais demandados por diversos segmentos da sociedade, ao se constituírem como subsídio para elaboração de políticas públicas territorializadas, intervenções territoriais e construção de indicadores que permitam o monitoramento de metas estabelecidas tanto na escala global, como é o caso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, quanto na escala local. A expansão do processo de urbanização nas últimas décadas, acompanhada pelo acirramento de desigualdades socioespaciais expressas, entre outros fatores, pela presença de Favelas e Comunidades Urbanas em cidades de diferentes tamanhos e configurações, torna a produção dessas informações cada vez mais complexa e desafiadora. Em linhas gerais, constatam-se desafios da ordem da identificação, mapeamento e endereçamento adequado dos seus domicílios, bem como no que se refere à realização da coleta de dados em campo e em gabinete. Encontram-se desafios também no campo da integração de bases de dados de diversas naturezas, produzidas com finalidades específicas por variados atores. A integração entre estatísticas oficiais, registros administrativos e dados não oficiais, bem como a integração entre estatísticas e informações geoespaciais, significam um grande avanço na produção de dados sobre esses territórios. Adicionalmente, percebem-se desafios relacionados às formas de disseminação desses dados, a fim de que eles sejam efetivamente apropriados pelos usuários e que sejam respeitados, principalmente para o campo das estatísticas oficiais, os princípios da acessibilidade e usabilidade. A mesa Desafios centrais para a produção, integração e disseminação de dados sobre Favelas e Comunidades Urbanas abordará o conjunto desses desafios do ponto de vista das estatísticas oficiais e não oficiais, buscando apontar caminhos para, de forma coletiva, construir estratégias para superá-los.
Expositores:

Clara Sacco é cofundadora e Diretora Executiva do data_labe, onde lidera o desenvolvimento institucional da organização, dedicada a descomplicar a cultura dos dados e os direitos digitais a partir das favelas e periferias. É também integrante do núcleo operativo da Rede de Geração Cidadã de Dados, articulação que reúne iniciativas comprometidas com práticas tecnopolíticas de produção e uso comunitário de dados. Bacharel em Estudos de Mídia pela Universidade Federal Fluminense, construiu sua trajetória na sociedade civil atuando em projetos que conectam pesquisa, comunicação, tecnologias e participação cidadã, com foco na produção de conhecimento situado e no fortalecimento de territórios periféricos.

Claudio Stenner é bacharel em Geografia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (1996), mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005) e servidor do IBGE desde 2002. No Instituto, foi Coordenador de Geografia de 2013 a 2020 e Diretor de Geociências de 2020 a 2024. Atualmente é copresidente do Grupo de Especialistas das Nações Unidas em Integração de Informações Estatísticas e Geoespaciais (UN EG-ISGI) e atua no IBGE na temática de Favelas e Comunidades Urbanas.

Professor, pesquisador e gestor em saúde publica, território e políticas públicas. Economista, com mestrado e doutorado em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz, atua há mais de três décadas no SUS, na análise e condução de processos de transformação digital no SUS, com ênfase em integração de dados, plataformas digitais, inteligência territorial e modelos inovadores de governança e participação social em saúde, especialmente voltados às periferias urbanas e rurais e à agenda de equidade. É Coordenador de Integração Estratégica da Fiocruz Brasília e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Saúde (PPGPPS). Sua atuação articula produção de evidências, tecnologias sociais, participação social e inovação no campo da saúde coletiva com as abordagens de Saúde Única e Saúde Planetária para o fortalecimento democrático do SUS e para a construção de políticas que respondam às realidades diversas das periferias brasileiras.

Alessandra Dahmer possui graduação (1994), mestrado (1998) e doutorado (2006) em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professora adjunta do Departamento de Ciências Exatas e Sociais Aplicadas da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre -UFCSPA desde 2009. Atua como pesquisadora na área de Informática em Saúde, principalmente nos seguintes temas: educação a distância, informática na educação em saúde, jogos computacionais, e inteligência artificial. Atualmente ocupa o cargo de Coordenadora-geral de Monitoramento e Avaliação em Saúde, na Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.
Mediação:

Isabella Nunes é bacharel em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1984), mestre e doutora em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ (2001 e 2014, respectivamente). Servidora do IBGE desde 1986, atualmente é responsável pela Gerência de Pesquisas Especiais na Diretoria de Pesquisas e se dedica parcialmente às atividades da Gerência de Favelas e Comunidades Urbanas do IBGE.