A produção não oficial de dados sobre Favelas e Comunidades Urbanas tem se consolidado como uma contribuição fundamental para ampliar a compreensão desses territórios e complementar lacunas presentes nos dados oficiais. Realizada por organizações da sociedade civil, coletivos locais, movimentos sociais, universidades, empresas de tecnologia e iniciativas diversas, essa produção envolve metodologias inovadoras de coleta, mapeamento e sistematização que procuram responder a demandas urgentes por informação mais atualizada, granular e sensível às especificidades desses espaços. Ao mesmo tempo, a heterogeneidade dessas iniciativas coloca desafios importantes no que se refere à padronização, qualidade, interoperabilidade, governança e sustentabilidade das bases produzidas, especialmente quando se busca integrá-las a outras fontes de dados. A mesa Desafios e potencialidades da produção não oficial de dados sobre Favelas e Comunidades Urbanas discutirá como essas iniciativas podem se articular com os esforços mais amplos de integração, destacando suas contribuições, limites e complementaridades. Serão abordadas questões relativas à representatividade, legitimidade e validação, bem como as implicações éticas da coleta e do uso desses dados, considerando o papel estratégico que desempenham no monitoramento territorializado de políticas públicas e na visibilização de desigualdades socioespaciais. Ao explorar as potencialidades de colaboração entre diferentes atores e a inovação metodológica presente na produção não oficial, a mesa busca apontar caminhos para fortalecer a produção de conhecimento sobre esses territórios e para ampliar a capacidade coletiva de responder, de forma qualificada, às demandas crescentes por informações sobre Favelas e Comunidades Urbanas.
Expositores:

Cleo Santana é TEDx Speaker, está como sócia diretora da Escola de Negócios da Favela e Vice Presidente do Data Favela, empresas que atuam respectivamente com educação e pesquisa nos territórios de favelas e comunidades urbanas em todo território brasileiro. Cleo é também responsável pelo processo de curadoria de talentos empreendedores, mentores e investidores da Expo Favela Innovation Brasil.

Everton Pereira é morador da Maré, geógrafo e urbanista social. Foi coordenador de campo do Censo Maré e atualmente é coordenador do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais da Redes da Maré.

Reginaldo José é diretor da UNAS – União de Núcleos, Associações e Sociedades de Heliópolis e Região e coordenador do Observatório de Heliópolis “De Olho na Quebrada” e da Rádio Comunitária Heliópolis. Com mais de 20 anos de atuação em projetos sociais e culturais, construiu uma trajetória sólida na coordenação, implementação e gestão de iniciativas comunitárias que ampliam direitos e impulsionam processos de transformação social em Heliópolis, São Paulo.

RPesquisadora do Dicionário de Favelas Marielle Franco, Flavia Cândido é mestranda em Relações Étnico-Raciais (CEFET-RJ) e professora de Língua Portuguesa formada pela UERJ. Moradora da Maré, mãe e militante territorial há 30 anos, idealizou a página Racial Favelado e ministra oficinas de Letramento Racial. Também atuou como assessora parlamentar da vereadora Marielle Franco
Mediação:

Rodrigo Leite é biólogo (UFMG) e doutor em Ciência e Tecnologia das Radiações (CDTN/CNEN). Foi Secretário de Saúde de Sabará-MG, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento e Vice-Presidente da Fundação Ezequiel Dias (Funed), além de Coordenador-Geral de Serviços, Informação e Conectividade no Ministério da Saúde. Atualmente, é Coordenador-Geral de Participação e Articulação com Movimentos Sociais no Ministério da Saúde.