A produção oficial de dados sobre Favelas e Comunidades Urbanas envolve um conjunto amplo de instituições públicas responsáveis por gerar informações estatísticas, cadastrais e territoriais que subsidiam a formulação de políticas públicas. Nesse cenário, o IBGE ocupa papel central ao produzir informações de referência nacional. No entanto, a complexidade crescente desses territórios coloca desafios significativos para o trabalho do Instituto e de outros órgãos estatais. Entre esses desafios estão a definição e atualização de critérios de identificação e classificação, a representação cartográfica e o enfrentamento de barreiras operacionais para a realização de coleta em campo, especialmente em locais marcados por dinâmicas urbanas aceleradas, restrições de acesso e ausência de endereçamento padronizado. Além do IBGE, diversos órgãos públicos produzem dados relevantes que dialogam com os dados sobre esses territórios, frequentemente guiados por finalidades administrativas específicas. A diversidade de metodologias, escalas, periodicidades e capacidades institucionais evidencia desafios próprios à produção oficial: limites de cobertura e atualização, variações conceituais, necessidade de padronização mínima, dificuldades de digitalização e modernização de sistemas, além de restrições de recursos humanos e financeiros para manter fluxos contínuos de produção e qualificação de dados. Esses obstáculos impactam diretamente a qualidade e a utilidade das informações oficiais, sobretudo diante da demanda crescente por dados mais tempestivos e territorialmente detalhados. A mesa Desafios e potencialidades da produção oficial de dados sobre Favelas e Comunidades Urbanas discutirá esses desafios enfrentados pelo IBGE e por outros órgãos públicos, debatendo caminhos possíveis para o fortalecimento da capacidade estatal de registrar, mapear e representar esses territórios de forma contínua e qualificada, de modo a ampliar a visibilidade das desigualdades socioespaciais e subsidiar políticas públicas nas diversas escalas.
Expositores:

Docente do curso de Engenharia Biomédica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuando na área de processamento de sinais e instrumentação biomédica. É professor permanente do Programa de Pós-graduação em Gestão e Inovação na Saúde (PPgGIS/UFRN). Atualmente, é o Coordenador-Geral de Inovação em Saúde Digital da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde. Desenvolve trabalhos na área de saúde digital e empreendedorismo social e tecnológico.

Letícia Giannella é bacharel em Oceanografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2006), mestre em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2009) e doutora em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (2015). Servidora do IBGE desde 2014, atualmente é responsável pela Gerência de Favelas e Comunidades Urbanas do Instituto. Também é docente permanente do programa de pós-graduação stricto sensu da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE).

Renata Grace é Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ, 2019), Mestre em Saúde Pública, subárea Endemias, Ambiente e Sociedade, pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz (2008), graduada em Bacharelado (2004) e Licenciatura em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (2001). É uma das coordenadoras do Observatório de Clima e Saúde do Laboratório de Informações em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT/Fiocruz) e professora do curso de Especialização em Sistemas de Informação, Monitoramento e Análise de Saúde Pública (SIMASP/ICICT/Fiocruz).

Talita Stael Costa é Coordenadora-executiva da Estratégia de Mobilização e Fomento de Potências da Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, responsável pelo Mapa das Periferias, plataforma voltada à produção e análise de dados territoriais sobre as periferias brasileiras que envolve a concepção de uma plataforma interativa e da ferramenta do Mapeamento Popular. Com formação em Tecnologia de Geoprocessamento, Ciências da Computação e Mestrado em Ciências Geodésicas e Tecnologia da Geoinformação, possui experiência de 15 anos na área, com atuação nas interfaces entre geotecnologias, mapeamento participativo e planejamento urbano.
Mediação:

Larissa Catalá é bacharel em Estatística pela Universidade Estadual de Campinas (2007), especialista em Pesquisa de Mercado Aplicada em Comunicações pela Universidade de São Paulo (2011) e mestre em Demografia também pela Unicamp (2020). Servidora do IBGE desde 2012, atuou até 2024 na Coordenação do Centro de Pesquisas Telefônicas Assistidas por Computador. Atualmente integra a Gerência de Favelas e Comunidades Urbanas, vinculada à Coordenação de Geografia do Instituto.