Mesa reflete sobre o projeto “A Rádio da Escola na Escola da Rádio”

Mesa possibilitou a alunos e professores da rede pública registrar e contar a história dos bairros de Salvador

A mesa “A Rádio da Escola na escola do Rádio: Experiências Geotecnológicas com alunos da educação básica” ocorreu na tarde de quinta-feira (04/12), durante a Conferência Nacional dos Agentes Produtores e Usuários de Dados (CONFEST/CONFEGE), que aconteceu em Salvador (BA), de 3 a 5 de dezembro. Com o objetivo refletir sobre o projeto “A Rádio da Escola na Escola da Rádio”, a mesa possibilitou aos alunos e professores das escolas da rede pública registrar e contar a história dos bairros e a memória de eventos e fatos que constituíram a cidade de Salvador ao longo dos anos.

O encontro trouxe como palestrantes Kátia Soane Araújo, professora da SMED e professora do GESTEC; Rosangela Patrícia Moreira, professora do IFBA e pesquisadora do GEOTEC; e Inaiá Brandão, professor em educação e contemporaneidade, que hoje atua como diretor escolar, e é também pesquisador do GESTEC. A moderação foi conduzida por Tânia Maria Hetkowski, professora do GESTEC, PPGEDUC/UNEB e líder do grupo de pesquisa GEOTEC (Geotecnologias, Educação e Contemporaneidade).

A abertura da mesa ficou sob responsabilidade da mediadora Tânia Maria Hetkowski, que contextualizou sobre o Projeto da Rádio, desenvolvido pelo GEOTEC: “O grupo de pesquisa já tem 21 anos, mas a partir de 2010 que aconteceu o nascimento do projeto de pesquisa da rádio. O projeto está atrelado a 2 programas: educação e contemporaneidade; e gestão e tecnologia.” Tânia contou que oficialmente o projeto começou em 2010, mas nasceu muito antes. Desde 2007, Tânia e alguns pesquisadores já trabalhavam o conceito de geoprocessamento e assessoramento remoto nas escolas da educação pública. Foi a partir do conhecimento adquirido, que começaram a pensar em como poderiam explorar as imagens de fotografias de satélites, para trabalhar com os alunos de pedagogia e geografia. “O objetivo era poder trabalhar nas escolas diretamente com os alunos.” E foi assim que, em 2010, fizeram uma nova contextualização do projeto e começaram a aplicar nas escolas. “Inicialmente, a maior resistência veio por parte dos professores, que não queriam ter que mexer e planejar toda uma dinâmica nova de aulas, bem diferente do que eles estavam acostumados a fazer. Por outro lado, os alunos se interessavam muito pelas tecnologias, e pela possibilidade de incorporar aquelas novas tecnologias às aulas e à rotina escolar.”

A fala de Rosângela Patrícia Moreira abordou o impacto positivo que o projeto faz na vida dos alunos: “Os alunos começam conosco de um jeito, logo vamos percebendo a autonomia, a criatividade, a curiosidade florescendo. Ao conhecer mais sobre o local onde vivem, de onde vieram, os alunos se tornam protagonista da própria história.”

Kátia Soane Araújo, lembrou da importância da ação colaborativa para avançar em temas como o da educação, que exigem o envolvimento de uma rede de atores para que se consiga avançar e começar a produzir efeitos concretos. “A ideia é disseminar conhecimento e ampliar o alcance dos projetos desenvolvidos pelo GEOTEC. Já tivemos a possibilidade de desenvolver o projeto em Sergipe, possuímos parceria com mais de 40 órgãos e agora vamos ampliar o projeto da GEOTEC na Universidade Distrital Francisco José Caldas, em Bogotá, na Colômbia”, disse.

Tânia contou que o GEOTEC existe porque há muitos alunos e pesquisadores que acreditam no valor e no objetivo do projeto desenvolvido, pois a grande maioria atua como voluntário. Anualmente, o projeto é integrado por cerca de 80 a 90 alunos da Educação Básica, e são estes alunos que dão o tom do projeto: “Neste ano de 2025, o nosso projeto completa 15 anos, e estamos dando outros contornos para tudo que vem sendo desenvolvido. Decidimos que, além da exploração das imagens, da memória dos bairros, do conhecimento das cidades, da discussão sobre esta temática, incluímos a temática da Inteligência Artificial. Não somente porque os alunos utilizam muito, mas, além disso, porque a IA pode auxiliar muito na aprendizagem.”

Inaiá Brandão falou sobre a criação da revista “Caleidoscópio”, para que os alunos conhecessem o processo de produção, edição e publicação de notícias, além de ter um espaço para que pudessem publicar notícias e textos. “A partir do projeto, a gente vai abrindo várias possibilidades de trabalho, não apenas para os alunos mas para nós também, professores. A revista nasceu para dar espaço para criações, porque percebemos que cada aluno observava e registrava os fatos de uma maneira.”

Este ano, o GEOTEC trouxe para a mesa de discussões a reflexão sobre Educação Científica, sobre educar pela ciência, e todos se debruçaram sobre a temática de “Educar pelo fazer pesquisa”. Em 15 anos de existência, o projeto formou mais de 1.000 pesquisadores júniores da educação básica, todos alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, além de ter reunido muitos professores de escolas públicas das instâncias municipal, estadual e federal. Cerca de 95% dos alunos que frequentaram o projeto ingressaram, e seguem ingressando, em universidades. “Hoje, já temos mestres e doutores que foram alunos do projeto. Um dos nossos alunos, que fez graduação em Informática, é hoje CEO em uma empresa de tecnologia nos Estados Unidos”, relembra Tânia.

Em 2025, o GEOTEC conta com cerca de 60 pesquisadores, todos cadastrados no CNPQ, e dentre eles alguns são alunos da educação básica. Dos pesquisadores, 11 estão cursando mestrado ou doutorado, e o grupo já soma 19 obras publicadas. Atualmente, o grupo já reúne 52 dissertações e teses sobre o projeto da Rádio.

Para o encerramento da mesa, a moderadora, Tânia Maria Hetkowski, fez uma reflexão sobre a importância de dados para qualquer pesquisa. “Quando temos dados, temos poder. Por exemplo, quando um jovem que mora na comunidade da Timbalada percebe que 100% das pessoas naquele lugar são pretas e pardas, estes números impressionam e aproximam. Os alunos se reconheçam como negros. São os dados que trazem o sentimento de pertencimento. Eu pertenço a este país, eu pertenço a esta comunidade, eu sou um sujeito de transformação. Milton Santos nos ensinou muito sobre dados, e também sobre os direitos da cidade, organização, sobre a cidade de Salvador. É um legado imensurável.”

Organizada pelo IBGE, com apoio do Governo do Estado da Bahia, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), do Senai Cimatec, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da União dos Municípios da Bahia (UPB), a Conferência Nacional dos Agentes Produtores e Usuários de Dados (CONFEST/CONFEGE) tem patrocínio do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e do Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB).

Serviço:

Conferência Nacional dos Agentes Produtores e Usuários de Dados (CONFEST/CONFEGE)

Tema: Uma proposta de Plano Geral de Informações Estatísticas e Geográficas (PGIEG) para o Desenvolvimento do Brasil na Era Digital, no período entre 2026 e 2030.

As mesas internacionais terão tradução.

Data: 3 a 5 de dezembro, em Salvador (BA)

Local: Instalações do SENAI Cimatec e do SESI

Endereço: Av. Orlando Gomes, 1845 – Piatã.